Morna e ingênua

Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho

E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim

De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás

Nunca mais

"Se você voltar, não será mais o mesmo."
 

Away

Tem gente que vai me perdendo, me deixando escapar.

Não por falta de amor...


Lutei contra o amor
E quanto mais vencia, me achava um perdedor
Mais tarde me enganei
Vi com outros olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais me levando pra alguém

Sempre fui muito só
Eu andei
Sorri, chorei tanto
Fui quase feliz
Fiz como pude

Desprezei meu ego
Dando esmolas a ele como se fosse um cego
Mais tarde me enfeitei
Até pintei os olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais me escapando pra alguém

Quem?


Perca tempo



Perceba a beleza na calma 
Você ainda tem alma? 
Como assim, não tem tempo pra isso?


Editorial: Humanos ciborgues

      Humanos ciborgues Força sobre-humana, implantes que adicionam novas funções ao cérebro, capacidade de enxergar no escuro. Tudo isso é real e está sendo desenvolvido em laboratórios de pesquisa. Atualmente ainda há uma grande controvérsia a respeito disso, mas já é possível encontrar pessoas que optam por trocar um órgão saudável por uma versão artificial com novas funções.
      Pensando a respeito, podemos nos perguntar: há limites éticos para o desenvolvimento científico? Até que ponto o ser humano será capaz de se submeter a uma cirurgia desnecessária para trocar um órgão perfeito e saudável? Essa nova tecnologia pode até ser comparada com uma evolução da cirurgia plástica: criada para reparar danos no corpo, porém muito utilizada para encaixar um corpo saudável nos moldes estéticos atuais.
      O termo ciborgue refere-se a um organismo cibernético, ou seja, um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas. Na realidade, ciborgues são pessoas que utilizam tecnologia cibernética para reparar ou superar deficiências físicas e mentais em seus corpos. Porém, isso poderá ser superado, e encarado como uma “evolução” humana, de início muito cara, podendo criar mais desigualdades e separar mais ainda a raça humana.
      Como toda mudança radical, serão necessários longos debates éticos para ser decidido, através da maioria, o que é socialmente aceitável ou não, algo que ocorre hoje nos campos da clonagem, por exemplo. Talvez seja encontrado um ponto de equilíbrio, ou o mundo acabe sendo drasticamente dividido pela tecnologia: aqueles que podem comprá-la, e os que não podem. 


Giovana mB

Crônica: Campos de Paraíso

     Certa vez estava eu observando através da janela de meu quarto a pracinha ao lado de casa. Abandonada, mal cuidada, praticamente vazia, graças ao avanço da tecnologia e do nascimento de bebês que já vem com um Ipad colado na barriga.
     Eis que surge uma criança quebrando o silêncio com sua gargalhada. Corria pra lá e para cá, aos tropeços, com joelhos ralados e faltando dentes na boca. Claro que porque estava trocando a dentição e provavelmente caíra se divertindo, o que não é o caso de todas, infelizmente, que chegam a perder alguns dentes sem ser a hora certa.
     O balanço estava quebrado, a gangorra não tinha assentos. Mesmo assim ela tentava se divertir da melhor maneira possível, enchendo com água um potinho e fazendo castelinhos na areia suja.
     Uma senhora a observava incansavelmente, sentada. Porém nada dizia, nada fazia, provavelmente sabendo que esse seria um dos momentos mais preciosos da vida da pequenina. Sem preocupações, sem problemas, toda hora era hora de brincar.
     A senhora, por alguns momentos, abaixou a cabeça, e fechou os olhos. Nesses instantes, a criança se moveu para longe, e foi embora. Pensei em gritar, mas não consegui. Não adiantava mais. Naqueles momentos de distração, quase como num piscar de olhos, minha criança foi embora, junto com a inocência, e a felicidade jovial.
     Agora somente restou-me eu, a senhora, a observar meus campos de paraíso.



Giovana mB



Crônica rápida.